Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

POEMA DO INFINITO

infinito.jpg 
Os longes da minha alma
Deixam-me ficar sem calma
Sem presente e sem futuro
Não sei quem sou nem quem era
Findou-se-me a Primavera
Num tempo inda prematuro.

Caminho sem parar e sem destino
Hoje já nada é como era outrora
Nunca mais voltarei a ser menino
De sorrir nunca sinto que é a hora.

Nas lágrimas dos teus olhos
Vejo que muitos escolhos
São causa da tua dor
Erguendo os olhos ao céu
Talvez tu rompas o véu
Que encobre o teu grande amor.

São as dores da alma tão prementes
Que entorpecem por vezes os sentidos
Ficamos como que menos presentes
E sentimo-nos como que despidos.

Fundidos na consciência
Na presença ou na ausência
Do objcto tão amado
Infundem-se os sentimentos
No tropel dos pensamentos
Já com destino marcado.

É sempre bom discorrer
Deixar a mente voar
E acabar por entender
O que se esteve a pensar.

Tens os olhos desvendados
Agora resplandecentes
Vejo bem que estão contentes
E ainda enamorados.

Trilhaste todo o caminho
Venceste bem os escolhos
Que trazias nos teus olhos
Agora cantas baixinho.

As tormentas são passadas
As águas voltam ao leito
Sinto pulsar no teu peito
As venturas conquistadas.

A alma voltou a si
O céu 'stá de novo azul
Já vejo o Norte e o Sul
Deveras não me perdi.

Os pensamentos confusos
Dissipam-se a pouco e pouco
Afinal não estou louco
Combinam rocas e fusos.

Um homem é sempre um homem
Não cede aos abatimentos
Nem às penas que o consomem
E nunca escolhe os momentos.

Pouco vale a sabedoria
Alicerçada no nada
É uma aixa vazia
Uma ave depenada.
No sobe e desce da vida
Qual roda que nunca pára
A mente mais distraída
Torna a vida mais avara.
 
No sobe e desce da vida
Qual roda que nunca pára
A mente mais distraída
Torna a vida mais avara.

Tantas curvas tantas rectas
E tantas encruzilhadas
Mas são tão poucas as setas
Que estão bem assinaladas.

As badaladas dos sinos
Ecoam lestas nos ares
Cruzam-se muitos destinos
Desfazem-se alguns pesares.

E a vida em seu 'scoar
Vai tecendo seus tecidos
Não dos que fazem tecidos
Mas tecidos de pensar.

Eloquente é toda a gente
Duma eloquência vivida
Não achada nem parida
Nascida na própria mente.

Bramam tambores rufantes
Atravessando os ouvidos
remechendo nos sentidos
O ser 'squecido uns instantes.

Nesta ilusão do viver
Correm rios sem parar
E flutua a navegar
A vontade de mais ser.

Agora chega o silêncio
Duma longa caminhada
Com ele traz pouco ou nada
Ne nada se faz silêncio.

Já tranposto o limiar
Percorridos os caminhos
Pisámos flores e 'spinhos
Neste longo caminhar.

O retorno é sempre eterno
O globo gira e não pára
E quem nele não repara
Não vê nem céu nem inferno.

Andar ao sabor do vento
Dormir de olhos despertos
Não ver de olhos abertos
É um viver desatento.

Não sei se choro se rio
Se murmuro ou se rezo
Apenas sei que desprezo
A pura falta de brio.

A rima já se fez verso
E o verso fez-se canção
E a canção é o universo
E o universo é a razão...

publicado por Abel às 22:04
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1 comentário:
De Anónimo a 20 de Outubro de 2005 às 22:09
MUITO GIRO ESTE POEMA COMENTE NO MEU BLOGkelinha
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(mailto:hiphopgirl_13@hotmail.com)

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