Domingo, 19 de Março de 2006

AS HORAS



Não meia hora seguida
Nem uma duas nem três
São quatro só duma vez
São quatro horas de vida!

São horas horizontais
Cruzadas no azul do Céu
Que brilham cada vez mais
Neste amor que Deus me deu!

Um amor que em cada dia
Segue ao longo duma 'strada
Para levar alegria
Aos olhos da minha amada!

Não são a luz dos meus olhos
Que até hoje não os vi
Nem sei se por mor de mim
Hão-de vencer os escolhos...

Se um tapete eu tivera
Num tapete voaria
A buscar a Primavera
Que descobri certo dia!
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publicado por Abel às 20:21
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Sexta-feira, 3 de Março de 2006

A CHUVA

chuva.jpg

Os aguaceiros vão e vêm
Deixando a terra molhada,
Molham-se os pés da minha amada
Quando à chuva se mantêm!

Quando cai uma chuvinha
Ficamos nós sob os toldos
Que esta chuva miudinha
É chuva que molha tolos!

Chove, chove, galinha a nove,
Chove, chove sobre a terra
Que o meu amor não se aterra
Nem a chuva me demove!

De manhã, de manhãzinha,
Com a terra inda molhada
Eu espero que à tardinha
Não caia qualquer chuvada!

Ainda que passageiro
Que não caia, por favor
Nenhum feroz aguaceiro
Que retenha o meu amor!

Abel
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publicado por Abel às 15:59
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2006

AVISO



Será isto algum aviso
De castigo prometido?
De castigos não preciso
Porque já fui bem servido!

As dores que Deus me deu
São dores que já sofri
quando esperava por ti
como quem aguarda o Céu!

O Céu que nunca se abriu
Para entrar o meu amor
Meu coraçao se partiu,
Sofrendo de imensa dor!

Mais dores para mim não
Bastam as que padeci
Ninguém morre de paixão
Só por isso não morri!
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publicado por Abel às 15:48
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2005

AS CRUZES

cruzes.jpg

De tanto tanto crescer
Já deves ser bem crescida
Eu daria a minha vida
Pra te medir a valer:

De medida em medida
Tudo pode acontecer
Entre o homem e a mulher
Na subida e na descida!

Mas não penses mal de mim
Se te falo ao coração
E se me disseres não
Então será mesmo o fim...

Desses olhos teus a cor
Quando poderei eu ver?
Não posso mais esconder
O desejo deste amor...

Dá-me algum sinal e eu corro
Dá-me um sinal bem depressa
De contrário ainda morro
Sem que algo nos aconteça...

Não tenhas medo da 'sperança
Nem dos brilhos doutras luzes
De Cristo e a tua, as cruzes,
Fazem comigo aliança!

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publicado por Abel às 16:50
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2005

O CABAZ DE QUE FALEI

poco.jpg

O cabaz de que falei
Não era não de Natal
É um poço em que deitei
As sementes do meu mal.

Mal de amor desprotegido
Que tudo dá ser saber
Se será correspondido
Hoje ou num dia qualquer.

Nesse poço muita água
Eu preciso de tirar
Pra irrigar uma mágoa
Que me anda a fazer chorar.

As lágrimas que no rosto
Muitas vezes vão correndo
São elas que vão dizendo
O quanto de ti eu gosto!

Fosse eu um dia maior
Do que todo o mundo inteiro
Mesmo assim o meu amor
Por ti seria o primeiro!

 

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publicado por Abel às 14:54
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005

POMBA BRANCA

pomba.jpg


Pomba branca , ó minha pomba,
Que me trazes tanta paz
Dentro de mim mais se alonga
O calor que tu me dás!

O teu arrolhar tão lindo
Me leva a porto seguro
Quanto mais te vou ouvindo
Menos vivo no escuro!

Uma palavra tão boa
Cada dia tu me trazes
Quando o teu arrolho voa
Batendo as asas nos ares!

Uma pomba assim tão branca
É um manto de frescura
Que cobre a terra mais dura
E a torna um pouco mais branda!

Vou estender a minha mão
E acariciar esta pomba
Que me entrou no coração
Qual força que tudo assombra!

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publicado por Abel às 15:34
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005

A TUA PRESENÇA



Nas noites de lua cheia
Em que brilham as estrelas
Quem me dera poder vê-las
Uma noite noite e meia.

Nos dias de soalheira
Em que brilha mais o mar
Quem me dera a mim lá estar
A manhã e a tarde inteira.

Nos dias de chuva intensa
Que ressalta na vidraça
Eu bendigo a boa graça
De ter a tua presença.

Nos dias em que cai neve
E tudo em mim arrefece
O calor de ti me aquece
E torna o frio mais leve.

Nos dias em que tu me olhas
Me perco no olhar teu
E as noites não são de breu
E de amor faço recolhas!
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publicado por Abel às 22:56
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2005

SEM EMBARAÇO

anca6.JPG

Pudesse eu sem embaraço
Levar a sentir o Céu
O teu corpo num abraço
Todo envolvido no meu.

Levar-te-ia, ó pomba branca,
A te sentir lá no Céu
Encostando a minha anca
À anca do corpo teu.

Imbuídos num mistério
Sempre novo a descobrir
Dar-nos-ia refrigério
O deixar-nos esvair.

Plo amor arrebatados
Que nunca pela razão
Nossos corpos enlaçados
Dariam um corpo são!

O calor da minha fonte
Acenderia, ó minha amada,
As cores do horizonte
Na penumbra da madrugada!

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publicado por Abel às 17:17
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Sábado, 19 de Novembro de 2005

DAR À VIDA UMA RAZÃO

cabaz2.jpg

É tão fundo o teu cabaz
Que nunca mais fica cheio
Nem nunca mais se desfaz
Esse teu eterno enleio...

Qualquer desvio que seja
Perturba a tua cabeça
Sem que o que faço mereça
Uma atenção que se veja...

Penar penando na vida
Andei eu a vida inteira
Agora já na descida
Esta vez é derradeira!

Olha bem para que vejas
O que fará mais sentido
Se um amor meio entretido
Se uma entrega ao que desejas...

Refrear no coração
O desejo de viver
Será viver sem saber
Dar à vida uma razão!

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publicado por Abel às 15:24
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2005

JAMAIS TEMEM



Quando o vento desatina
E o navegar se faz morto
Há-de chegar a bom porto
Quem navegar à bolina.

Soubesses tu navegar
Qual marinhreiro sapiente
Me tornavas tão contente
Me deixando mais te amar.

Digas tu o que disseres
Diga eu o que disser
Muitas são outras mulheres
Mas só tu és a mulher.

Se um dia brilhar a luz
No fundo dos olhos teus
Teus olhos serão os meus
Minha e tua a mesma cruz.

As mãos ao leme não tremem
Dos que sabem navegar
Os que se amam jamais temem
As vagas do alto mar!
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publicado por Abel às 16:15
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