Segunda-feira, 5 de Setembro de 2005

O DESPEITO

Não é massa levedada
Que se amassa e rebola
Nem uma fita gravada
Que se enrola e reenrola...

É um despeito atrevido
Que agarra a nossa garganta
E que apenas e só 'spanta
Quem ande desprevenido...

Rodopia sem parar
Se não alcança o seu fim
Uma tendência ruim
Que só sabe envenenar...

Se repete repetindo
O que foi dito e redito
A voz de quem vaza aflito
O rancor que vai sentindo...

Qual serpente deslizante
Encurvada sobre o solo
A voz que soa aberrante
Não nos serve de consolo...
publicado por Abel às 14:40
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Sábado, 3 de Setembro de 2005

O ESPARTILHO



No dia da poesia
Parece bem recordar
Com alguma ironia
Quadras que andei a rimar.

Já se viu mais que uma vez
Provado à saciedade
Que a falta de lucidez
É mãe da opacidade.

Em meio a desfiladeiro
Em cujo fundo se alapa
O logro jamais escapa
Aos olhos do bom olheiro.

Uma simples vistoria
Põe a claro que o espartilho
Que reinava em poesia
Deixou de ser empecilho.

Só a dura matemática
Continua a dar sarilho
Com precisão tão estática
Não se livra do espartilho...

publicado por Abel às 21:09
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Sexta-feira, 2 de Setembro de 2005

O BICHO DA RÁDIO



O bicho radiofónico
Continua impunemente
A viciar toda a gente
Em português macarrónico

É preciso irradicar
Das rádios a estultícia
E nelas pôr a falar
Os que falam com perícia!

O bicho da rádio é vício
Dos que gostam, por capricho,
De se ouvir dentro dum nicho
Como presos por feitiço...
publicado por Abel às 16:18
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2005

Ó ALVAR INTELIGÊNCIA



Ó alvar inteligência
De cega nas enxergavas:
Os erros de incontinência
Eram poemas em palavras!

As gralhas, afinal,
São verdadeiros poemas,
Em seu vestido virginal,
Difundidos plas antenas!

Não fora um Tolentino,
Fero, que à estrada se lança,
Seria eu um cretino
Servo da tua ignorância!
publicado por Abel às 15:52
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005

DE CERTA RE



Sem querer ter a certeza
De que penso sem engano,
Vejo na língua a nobreza
Do brio mais lusitano.

Cada vez mais a certeza
Da minha objectividade
Me surge com a firmeza
Da luz que dá claridade.

De que é bom falar correcta
E claramente a certeza
É mais das almas pureza
Do que pensar de pateta

Faz parte do patriotismo
Ter bem presente a certeza
De que a língua portuguesa
Não é qualquer barbarismo!
publicado por Abel às 16:52
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Domingo, 28 de Agosto de 2005

DE DIEBUS



O dia em que nasci
Era de guerra alargada:
Muita açorda eu comi
De rebuçado adoçada...

Nos dias em que essa guerra
Decorria encarniçada
Não havia cá na terra
Açúcar pra quase nada...

Iam prás bichas sem fim
Pelo tudo que faltava
Eram os dias assim
Em que a guerra devastava...

Mas hoje na nossa terra
Existem aqueles dias
Em que conjuntos “ na berra “
Tocam belas melodias!

E são mágicos os dias
Em que a música acontece
E se alçam as alegrias
E a tristeza desvanece!
publicado por Abel às 16:40
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Sábado, 27 de Agosto de 2005

SONHEI UM DIA CONTIGO




Sonhei um dia contigo
E passaste a ser alguém
Com que sonho ao abrigo
Dos sonhos que fazem bem.

Será por ti mais sonhado
De tudo com que sonhaste
O que sempre desejaste
Mas nunca foi alcançado.

Os sonhos que nós sonhamos
São coisas que se idealizam,
Embora todos saibamos:
Nem sempre se concretizam.

Dos sonhos lindos que sonham,
Da infância à velhice
Os homens não se envergonham
Que sonhar não é tolice!
publicado por Abel às 17:08
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005

BURRO VELHO, BURRO NOVO



 Burro velho não aprende línguas:
Não tem razão o nosso povo
Porque também o burro novo
Vem sofrendo das mesmas mínguas!

Na RFM os "criativos"
Escrevem bem quando citam
Mas são muito permissivos
Se da própria mão debitam...

A sintaxe de quem bem 'screve
Poesia ou romance
Está fora do alcance
Da cabeça que é mais leve...
publicado por Abel às 16:56
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005

SER GUARDA DUM MUSEU




Ser guarda dum museu a vida inteira,
Dum museu que é a língua portuguesa,
Não plagiar a novela brasileira,
Serão causas mui nobres, de certeza!

Nas traduções, que têm mais uns anos,
Não encontrando frases e mais frases
Plenas de imprecisões, plenas de enganos,
Com livros traduzidos faço as pazes!

Nas traduções Hodiernas soam mal
Expressões de novelas brasileiras,
Grande parte das quais são costumeiras
No Brasil, mas não são em Portugal!

Dinâmica não é o retrocesso
Nem tão pouco serão as simples trocas
Que ao português jamais trazem progresso
E enchem certas cabeças de minhocas!
publicado por Abel às 23:04
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RAZÃO TEM QUEM TEM RAZÃO



Razão tem quem tem razão,
Não é jogo de alternância,
Não digas sim por um não
Sem que exista concordância!

Tenho o direito de errar,
Os erros fazem-me forte
Se errando encontrar o Norte
E as coisas o seu lugar!
publicado por Abel às 23:01
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