Terça-feira, 31 de Janeiro de 2006

O NARCISO



Jesus, mar ou poesia:
De qual precisa o teu egoismo
Pra atenuar o narcisismo
E a vil hipocrisia?

Silêncio?! guarda-o tu
Que, nos ares, cheio de loas,
De ti mesmo tanto ressoas
Como um rei que vai nu...

O silêncio que é de ouro
Cultivas tu em seara alheia
Porque na tua a verborreia
Valeria um tesuoro!

Grande a imaginação!
Que em pouco ou nada se baseia
E que te prende numa teia
Quais grades de prisão...

Fúteis astrologias
E um nevoeiro imaginário
São as marcas do visionário
Preso a vãs fantasias...

Se não têm substância
São palavras ditas à toa
E não é quem as apregoa
Que colhe relevância...

Reais são só as causas
Que te deixam tão deslumbrado
Pois também eu fico espantado
Das tuas belas pausas...

E desses raros temas
Que são cópias escritas em prosa
Dos teus inefáveis poemas
Dum sonho cor de rosa...
publicado por Abel às 15:26
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006

MENSAGEM POR "E-MAIL"



Pouco ou nada sei de burros
Inda menos de elefantes,
Porém, sei que são casmurros
Os eternos mal falantes.

Ó meu caro Joaquim Canas!
Não me venha com mais lérias,
Pra mim, as suas "bácterias"
Existem mas é o tanas!

Bactérias com "a" aberto
Está errado, já se vê,
O ler será sempre incerto
Pra quem não sabe o que lê...

O manguito foi citado
Um pouco cedo de mais
Pois devia ser mostrado
Às "báctérias" anormais...

Quiçá não fique engasgado
Com esta pequena espiga,
Lapso muito aligeirado
Pra minha tão grande intriga!

Ao Celestino, com estima,
Diga, se não se importar:
-Diz-se chegar lá acima
E não lá "em cima" chegar...

A inversão é só pra rimar!

Ao ecóico Júlio Heitor
Diga,com todo o respeito,
Que o purismo é um defeito
Dos que falam sem rigor...
publicado por Abel às 15:43
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Sábado, 28 de Janeiro de 2006

O MAL DOS OUTROS

ooutro.jpg

Duma perna ando a sofrer
Das duas minha vizinha
Mas a dor da pobrezinha
Não me põe logo a correr...

De doença grave padeço
De mais grave o meu vizinho
Nem por isso desmereço
Que me tratem com carinho...

Ainda que o mal dos outros
Não me faça nada bem
Não deixo de ser alguém
Que vá morrendo aos poucos...

O maior livro da vida
Trago no meu coração
Que da vida que é vivida
Tira sempre uma lição!

publicado por Abel às 15:36
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

CONDESCENDEMOS

condescendemos.jpg

Condescendemos
Realçando
As virtudes alheias
Condescendemos
Confessando
As nossas acções feias
Condescendemos
Aceitando
Todo o mérito alheio
Condescendemos
Observando
Erros no nosso seio
Condescendemos
Respeitando
Condescendemos
Não julgando!

publicado por Abel às 15:35
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006

A VIZINHA

fronha.jpg

A vizinha do primeiro
Já vem a descer a escada
Tem o passo tão ligeiro
Que nunca chega atrasada!

Tem o passo tão ligeiro
E tão larga é a passada
Que chega sempre primeiro
E nunca lhe custa nada!

E tão larga é a passada
Que já está no rés-de-chão
Sem que se mostre cansada
Ou lhe salte o coração!

As laranjas que ligeiro
Foi colher ao meu quintal
Dei-as à vizinha do primeiro
Pra que não me queira mal!

A fronha não era sua
Mas não perdi a viagem
Comigo trouxe uma imagem
Mais brilhante do que a Lua!

publicado por Abel às 15:52
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2006

SONHO DESCONFIADO

sonhar.jpg

Numa noite muito agitada
Acordei sobressaltado
Se sonhei não dei por nada
Mas fiquei desconfiado.

Muitas noites se seguiram
Sonhando sempre desperto
Se alguns dos sonhos dormiram
Fora num sono encoberto...

A dormir ou acordado
Eu já sonho a toda a hora
Um sonho desconfiado
Faz parte de mim agora...

publicado por Abel às 15:37
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006

A VERDADE DO POEMA

ruas.jpg

São as ruas da cidade
Ora largas ora estreitas
Umas com sinuosidade
Umas outras bem direitas.

Também assim na poesia
Versos há que são bem feitos
Outros que são imperfeitos
Ou não ganham simpatia.

O saber que um poema traz
Não se encontra em quem o ler
Encontra-se em quem o faz
Se quem faz tiver saber!

publicado por Abel às 15:51
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2006

O LUNÁTICO

metrica.jpg

Não quero falar de versos
Isso já passou à história
Assuntos muito complexos
Não são prá minha memória...

Não quero saber da métrica
Dá-me cabo do juízo
Pra cantar minha poética
Da métrica não preciso...

Meus versos são geniais
Posso dizer em voz alta
As regras gramaticais
Não me fazem qualquer falta...

Não são alucinações
Isto não é fantasia
Nem sequer uma mania
Componho e canto canções...

Se os autores mais famosos,
Pla métrica subjugados,
Fossem como eu engenhosos
Mandavam-na prós diabos...

publicado por Abel às 15:22
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006

CARNEIROS

carneiros.jpg

O sono não quer chegar
Não dormir é muito mau
E lá começo a contar
Carneiros a dar com um pau...

Um carneiro, dois carneiros,
Três carneiros a correr.
Eu ando a contar carneiros
Pra que possa adormecer...

Mas é tanta a carneirada
Que a confusão se estabelece
E a minha mente cansada
Nem mesmo assim adormece...

publicado por Abel às 19:35
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2006

TANTAS BANDEIRAS!

golos.jpg

Tantas, tantas, as bandeiras
E tão poucos são os golos
Pelas maiores peneiras
Passam os que são mais tolos!

Os helenos são tão altos
Que saltam lá nas alturas
Com tão altas criaturas
Só tivemos sobressaltos!

Eles acreditam
Eles têm de acreditar
Eles acreditam
Nas bandeiras a voar

Eles acreditam
Eles têm de acreditar
Se põem os pés no chão
Deixam logo de sonhar...

Depois dos gregos jogaram
E quatro vezes ganharam
Os valentes portugueses
Antes dos gregos venceram
E muito bem mereceram
Os checos por quatro vezes!!!

publicado por Abel às 18:45
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