Quarta-feira, 26 de Outubro de 2005

EM SOBRESSALTO

Quem se mira no espelho
E nunca fica sereno
É capaz de ver veneno
Até no melhor conselho.

E ofende-o a valer,
Embora não lhe pareça,
Não o que ele ouça dizer
Mas o que traz na cabeça.

Ninguém se põe lá no alto
Nem põe os outros no fundo
Só quem vive em sobressalto
É que vê assim o mundo.

E, porque lhe chamam burro,
Por força não o será
Se meditar bem, verá
Que não passa dum casmurro.

Do mais loquaz ao calado
Que venha o diabo e 'scolha
Se bem que o maior pecado
Inda seja a lei da rolha.

Quem é louco ou tem juizo
Não adivinha ninguém
Mas sabemos que é preciso
Falar, ler e 'screver bem.
Há quem aponte, a correr,
Erros que lhe são alheios
Passando a vida a 'sconder
Os seus próprios devaneios.

Se uma obra é boa ou má
Devem os outros dizer
Não cabe ao autor saber
O valor que ela terá.

Mal acabou de nascer
E já o homem aprende
E aprender o que quizer
É só dele que depende.

Nunca se nasce ensinado
Tudo se aprende na vida
Também a falar rimado
Ou a cantar uma cantiga.

Os versos que são bem 'scritos
Sempre alguém os compreende
Mas os poemas malditos
Nem um sábio os entende...




publicado por Abel às 21:53
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