Quarta-feira, 16 de Novembro de 2005

A CARTA

carta.jpg

Uma mensagem que é carta
Com tanta pontualidade
É de amor que não se farta
E vence a contrariedade.

O poeta é um fingidor
Como diz certo poeta
E ao fingir que sente dor
Faz figura de pateta.

Quero bradar em voz alta
Que as dores tão repetidas
São umas dores fingidas
Que de amor não tenho falta.

Minha ansiedade em enviar
Sinto-a eu no receber
Que me diz 'sperar 'sperar
Que eu volte sempre a 'screver.

Como te amo, ó meu amor,
Digo sem falsa roupagem
E se um dia assim não for
Di-lo-ei co'a mesma coragem!

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publicado por Abel às 21:04
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2005

O ALCATRUZ

noria.jpg

Já não há um só momento
Fora da tua presença
Até chega a ser doença
Um tão grande envolvimento.

Se esta doença é ruim
Nisso nem quero pensar
Seja qual for o seu fim
Apenas quero sonhar!

A sonhar vou passeando
Pelos caminhos da vida
Nem uma hora é perdida
E nem importa até quando.

O que eu não quero é o deserto
Árido devastador
Em que não vinga o amor
E o desespero vem perto.

Qual trobeta mais sonora
Eu canto o que 'stou sentindo
Como alcatruz duma nora
Desço e também vou subindo...

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publicado por Abel às 15:35
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2005

A TUA VOZ

seta.jpg

Penso em Deus todos os dias
Mas inda mais penso em ti
Pecado das alegrias
Por te ter dentro de mim!

Por trazer no coração
Quem é toda a minha vida
Se peco pede perdão
A minh'alma arrependida.

Não tenho culpa que o Céu
Entrasse por mim adentro
Pobre de Cristo sou eu
Que sucumbe ao sentimento.

É uma força fatal
A força que me governa
Faz-me mais bem do que mal
E nunca jamais hiberna.

Uma voz em difusão
Que voando me penetra
Se aloja como uma seta
Dentro do meu coração!

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publicado por Abel às 22:35
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Domingo, 6 de Novembro de 2005

O OUTRO

balanca.jpg

Tempo por demais tardado
Não há nas coisas celestes
Mas há nas que são terrestres
E é um tempo envenenado.

Se os pratos de uma balança
Pendem para um só lado
O que nela for pesado
Peso certo não alcança.

Nada mais é que ludíbrio
Com paciência esperar
Quando não há equilíbrio
Entre receber e dar.

Só quando for biunívoco
O entendimento do outro
Será por fim inequívoco
Um lio forte e devoto!

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publicado por Abel às 21:09
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Sábado, 5 de Novembro de 2005

NÃO SEI SE REAPARECE

tormenta.jpg

A minha vida ruiu
E se 'spraiou em tormentas
Desde que ela se sumiu
As minhas horas são lentas.

Recordo-me com saudade
Dos dias em que eu a via
E à noite ainda acordado
Sonhava com o novo dia.

Um porte muito elegante
Ostenta aquela 'strangeira
Falei com ela um instante
Que guardo prá vida inteira.

Os meus dias eram belos
E a vida se reanimava
Quando ela por mim passava
E me provocava anelos.

Agora vivo perdido
Já não sei para onde ir
A vida não faz sentido
Parece que ando a fugir.

Não sei se reaparece
Aquele corpo felino
Pra avivar o desatino
Que dentro de fenece...

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publicado por Abel às 18:20
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2005

A SEARA

seara.jpg

A cegueira é sempre feia
Se voluntária pior
Mete foice em seara alheia
Quem anda a morrer de amor!

Um amor desiludido
Que no peito se revolta
Recua mas logo volta
Cada vez mais atrevido!

Arremete contra a mesma
Endurecida parede
Onde o prende um aventesma
Bem preso na sua rede!

Eu não vejo tu não vês
Andamos a cirandar
Nunca chega a nossa vez
De amar só quem nos amar!

Por ora não renuncio
A dar vida a este amor
Que trago em mim cheio de brio
Por obra e graça do Senhor!

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publicado por Abel às 15:45
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Sábado, 29 de Outubro de 2005

A LEMBRANÇA



Secou a espontaneidade
Não surgem versos de novo
Meu bem-estar é raridade
E as reservas não renovo.

Sem musa não sou ninguém
Vou andando à deriva
O que me fazia bem
Nunca mais se reaviva.

Um destino mal fadado
Criou uma encruzilhada
Não se pode fazer nada
Se o tempo não for chegado.

Talvez que a reviravolta
Não dependa de ninguém
Tempo que vai já não volta
Que o tempo não é vaivém.

O dever é importante
E a verdade ainda mais
Acompanham-me os meus ais
Que vou dando a cada instante.

Bem ou mal, por fim, chegou
Uma réstia de esperança
O que eu era ainda sou
Que não morreu a lembrança!
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publicado por Abel às 15:06
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005

CORDAS VOCAIS



Procuro estender a mão
E na mão de outrem tocar
Não consigo lá chegar
Meus esforços são em vão.

De tudo já tenho feito
Elogios e censuras
Coisas certas e loucuras
Sempre sem qualquer efeito.

De voltas e de rodeios
De avanços e de recuos
De remoques e de amuos
Os meus dias tenho cheios.

Quando uma pedra gelada
Se encontra no outro lado
Se o gelo não for quebrado
Não se pode fazer nada.

Frieza sem estação
Leito de rio fora de águas
Todo coberto de fráguas
Espalhadas pelo chão.
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publicado por Abel às 21:30
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2005

O AMOR



Sou frio com muita gente
Caloroso com alguma
E por vezes de repente
Uma pedra se faz pluma.

Amor ódio teimosia:
Ninguém lhes pode fugir
Vive em plena utopia
Quem os julga distinguir.

Sabemos que o amor é cego
Lindo o feio lhe parece
Mesmo vendo faz que esquece
E lhe suporta o carrego.

Ao amor tudo se ajeita
Nada se pode evitar
Melhor é o feio amar
Que sofrer doutra maleita.

Assim sendo sigo em frente
Confiante e ´sperançado
Vivendo bem humorado
Confirmando que sou gente!
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publicado por Abel às 16:55
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Domingo, 23 de Outubro de 2005

A SURPRESA



Pedras que tinha na mão
Prontinhas para atirar
Deixei-as cair ao chão
Sem forças prás apanhar.

Também podem ser divinas
Ditas pela boca humana
As palavras que são finas
Mais que a fina porcelana.

Fina areia que se escoa
Pelo crivo que a peneira
Ao coração se afeiçoa
A palavra verdadeira.

Cuidar que ganha perdendo
Que verdade mais exacta
Vencer vencida parecendo
Que atitude tão sensata!

Emudecido uma vez
Primeira na minha vida
Não por palavra atrevida
Mas pela surpresa que fez!
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publicado por Abel às 16:34
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