Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

O PENSAMENTO

pensamento.jpg

Ouço falar de arrogância
Assim como de humildade
Com falta de relevância
E pouca profundidade.

Almejamos a pureza
Mas ela foge vadia
Nunca temos a certeza
Se em nós vive ou se vivia.

O pensamento é soberano
Tudo ordena e comanda
E a alma do ser humano
Cumpre sempre o que ele manda.

Como ele corre veloz
Para o mal e para o bem
Com ele corremos nós
Porque nada nos detém.

O homem não é depravado
Nem tem a alma pequena
E se vive no pecado
É o pensamento que ordena.

Só a Natureza é pura
Que a si mesma se regula
Na humana criatura
A mente só manipula...

publicado por Abel às 15:34
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005

A SORTE



Há caminhos movediços
Em que se afundam pessoas
Que não vencem os enguiços
Sejam elas más ou boas…

Vias há que são douradas
Por onde passam pessoas
Que ao invés das desgraçadas
Nem sequer serão tão boas…

Por estradas distorcidas
Se perdem muitas pessoas
Da vida desiludidas
Sejam elas más ou boas…

Neste mundo de contrastes
Quem viu a sorte brilhou.
A outros só os desastres
A sorte lhes reservou…

Há quem lute sem descanso
Seguindo por bons caminhos
Mas a sorte em seu remanso
Dorme sobre os seus destinos...
publicado por Abel às 15:35
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

POEMA DO INFINITO

infinito.jpg 
Os longes da minha alma
Deixam-me ficar sem calma
Sem presente e sem futuro
Não sei quem sou nem quem era
Findou-se-me a Primavera
Num tempo inda prematuro.

Caminho sem parar e sem destino
Hoje já nada é como era outrora
Nunca mais voltarei a ser menino
De sorrir nunca sinto que é a hora.

Nas lágrimas dos teus olhos
Vejo que muitos escolhos
São causa da tua dor
Erguendo os olhos ao céu
Talvez tu rompas o véu
Que encobre o teu grande amor.

São as dores da alma tão prementes
Que entorpecem por vezes os sentidos
Ficamos como que menos presentes
E sentimo-nos como que despidos.

Fundidos na consciência
Na presença ou na ausência
Do objcto tão amado
Infundem-se os sentimentos
No tropel dos pensamentos
Já com destino marcado.

É sempre bom discorrer
Deixar a mente voar
E acabar por entender
O que se esteve a pensar.

Tens os olhos desvendados
Agora resplandecentes
Vejo bem que estão contentes
E ainda enamorados.

Trilhaste todo o caminho
Venceste bem os escolhos
Que trazias nos teus olhos
Agora cantas baixinho.

As tormentas são passadas
As águas voltam ao leito
Sinto pulsar no teu peito
As venturas conquistadas.

A alma voltou a si
O céu 'stá de novo azul
Já vejo o Norte e o Sul
Deveras não me perdi.

Os pensamentos confusos
Dissipam-se a pouco e pouco
Afinal não estou louco
Combinam rocas e fusos.

Um homem é sempre um homem
Não cede aos abatimentos
Nem às penas que o consomem
E nunca escolhe os momentos.

Pouco vale a sabedoria
Alicerçada no nada
É uma aixa vazia
Uma ave depenada.
No sobe e desce da vida
Qual roda que nunca pára
A mente mais distraída
Torna a vida mais avara.
 
No sobe e desce da vida
Qual roda que nunca pára
A mente mais distraída
Torna a vida mais avara.

Tantas curvas tantas rectas
E tantas encruzilhadas
Mas são tão poucas as setas
Que estão bem assinaladas.

As badaladas dos sinos
Ecoam lestas nos ares
Cruzam-se muitos destinos
Desfazem-se alguns pesares.

E a vida em seu 'scoar
Vai tecendo seus tecidos
Não dos que fazem tecidos
Mas tecidos de pensar.

Eloquente é toda a gente
Duma eloquência vivida
Não achada nem parida
Nascida na própria mente.

Bramam tambores rufantes
Atravessando os ouvidos
remechendo nos sentidos
O ser 'squecido uns instantes.

Nesta ilusão do viver
Correm rios sem parar
E flutua a navegar
A vontade de mais ser.

Agora chega o silêncio
Duma longa caminhada
Com ele traz pouco ou nada
Ne nada se faz silêncio.

Já tranposto o limiar
Percorridos os caminhos
Pisámos flores e 'spinhos
Neste longo caminhar.

O retorno é sempre eterno
O globo gira e não pára
E quem nele não repara
Não vê nem céu nem inferno.

Andar ao sabor do vento
Dormir de olhos despertos
Não ver de olhos abertos
É um viver desatento.

Não sei se choro se rio
Se murmuro ou se rezo
Apenas sei que desprezo
A pura falta de brio.

A rima já se fez verso
E o verso fez-se canção
E a canção é o universo
E o universo é a razão...

publicado por Abel às 22:04
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005

A ENTREGA



Afinal tudo depende
Da boa vontade humana
Cedo ou tarde se arrepende
Quem sobre a vida se engana

Se lançando em correria
Desnecessária e perdida
Fazendo de cada dia
Uma amargura de vida.

De olhos cegos à verdade
Seguindo um falso objectivo
Da cegueira tão cativo
Que não acha a liberdade,

A qual paira derredor
Flutuando na leveza
De quem vive na certeza
De que a vida é o amor!

Só numa constante entrega
Àqueles que mais amamos,
A liberdade alcançamos
E a nossa vida sossega...
publicado por Abel às 21:14
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2005

A LUZ



Como um fio de cabelo
Da luz só uma fagulha
Melhor passa um camelo
Plo buraco duma agulha...

Falamos ao mesmo tempo
Cada um para seu lado
Raramente o resultado
Será de contentamento...

Simples que seja o assunto
Logo as opiniões se dividem
Se delas duas coincidem
Já será deveras muito...

Cada um tem a certeza:
Se não é do seu interesse
Não vale a pena a franqueza
E da luz logo se esquece...

A minha verdade impera
E de mim me faz um cego
A razão ponho no prego
E a luz na fila de espera!
publicado por Abel às 20:03
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005

OS ENGANOS



O tabaco não me engana
Há já quase vinte anos
Fiquei livre dos enganos
Há cerca duma semana...

Separados ou unidos
Ambos corroem aos poucos
Mata o primeiro os tecidos
O segundo põe-nos loucos...

Os maços dizem que matam
A quem fuma seus cigarros
Avisos que não acatam
Os indivíduos bizarros...

Diz-se: quem com ferros mata
Com ferros morre também
Quem nos engana ou empata
Merece apenas desdém.

Gosto muito de animais
Em 'special de certos cães
Porém não somos iguais
São outras as nossa mães...

Do “messenger” as conversas
Dos animais a mania
Reduzem só a promessas
A convivência sadia!
publicado por Abel às 22:26
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2005

QUADRAS DESENQUADRADAS!



Sejam teus olhos as aves
Que poisam na árvore boa
Porque 'scolhendo entre as árvores
Excluem a que destoa...

Se já gostava do que ouvia
Inda mais gosto do que vejo
Se te amava por simpatia
Agora amo-te e desejo!

Somente pla fotografia
Jamais ousaria prever
Que ainda mais eu te amaria
Se um dia te pudesse ver!

Quem tem medo compra um cão
Quem tem muito compra dois
Quem plo amor passa em vão
Vai lamentar-se depois!

Nem à bolina avancei
Nem com favorável vento
No passado lá fiquei
Pra meu descontentamento...

É preciso 'star atento
A tudo o que nos rodeia
Não nos teçam uma teia
Que não veremos a tempo...

Medir as palavras bem
Antes que pareçam mal
Será o que mais convém
Aos que pregam a moral.

Também fazem sistema
Certos procedimentos
Que, embora dentro das normas,
Não deixam de assumir formas
Que causam contrangimentos.

Me ha gustado te ver
Ablando en televisión
Cuando de repente ayer
Hiciste tu aparición!

Ó samaritana amiga!
Te aguardei a vida inteira
Por fim és aparecida
Em hora já derradeira!

Não se pode explicar nunca
Semelhante aparição
O meu ser ao teu se junta
Em perfeita comunhão!

Discreto é o telefone
Delicado o seu tocar
Ausente do microfone
Me ‘squeci de telefonar…

Nós, sou sempre eu de certeza,
Talvez também alguns outros
Não são estes ou aqeloutros
Que aponto com ligeireza…

Era um filme de gala
Que a toda a gente agradou
 Estreou-se numa sala
Que ele próprio estreou...

Baloiçando-se no ar
A criança a sorrir
É feliz por se sentir
No seu baloiço a voar!
publicado por Abel às 17:15
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Domingo, 21 de Agosto de 2005

FILHOS DO ALARDE



Batem asas enfurecidas
por constante formigueiro
de imaginárias formigas
dentro do corpo em carreiro...

A fúria gera conduta
repulsiva da amizade
que foge de liberdade
mais que por razão astuta...

As suas garras aduncas
esmagam sadios frutos
transfigurados em nuncas
por arremedos abruptos...

Os raios infravermelhos
que disparam o alarme
mostram atrás dos espelhos
orgulhos filhos do alarde...
publicado por Abel às 15:07
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QUE GRILHETA É ESTA?

grilheta.jpg espada.jpg

Que grilheta é esta que me prende
por mais esforços que faça?
Que espada é esta que pende
sobre mim como ameaça?

E me impedem o pensamento
que já não corre veloz,
grilheta, espada, tormento
que falam a mesma voz!

E me fazem viver um nada
que num tudo se transforma
e sempre mais se conforma
com a forma da voz falada...

publicado por Abel às 00:42
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Sábado, 20 de Agosto de 2005

OMBREIRA SEPARAÇÃO



Ombreira separação
do de dentro e do de fora
dum lado tudo se ignora
do outro a recordação.

De um sopro muito ligeiro
abana a porta buscada
que toma a carta soprada
pelo vento mensageiro.

As linhas não dizem nada
em sílabas de tinta branca
e a porta já não se espanta
de ficar sempre fechada...

publicado por Abel às 18:00
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